Em novembro tivemos a oportunidade de receber o jornalista Gustavo Junqueira e sua equipe, o fotógrafo André Dib e o Cineasta Alexandre Caldo, juntos eles vieram fazer um roteiro desenvolvido pela Adrenailha, o contorno da ilha de Santa Catarina a pé e em caiaques, segue abaixo as inpressões desta aventura….
FLORIANÓPOLIS, UMA AVENTURA DE CONTRASTES
Contorno a pé da ilha em sete dias mostra as várias faces da capital catarinense, misturando esforço físico, paisagens deslumbrantes, história e personagens marcantes.
Gustavo Junqueira de Ribeirão Preto
Conhecida por suas belas praias, Florianópolis oferece um roteiro diferenciado para quem gosta também de aventura, ecologia, história e cultura, tudo num concorrido período de sete dias. Foi este o tempo que levamos para percorrer, a pé ou a bordo de caiaques, os mais de 200 quilômetros de praias, trilhas, morros, pedras, costões, dunas e mangue que circundam a chamada Ilha de Santa Catarina. No trajeto, muita caminhada, sítios arqueológicos, esforço físico e personagens inusitados que contam um pouco da rica história da capital catarinense.
O mais impressionante são os contrastes vivenciados diariamente na jornada. Entre uma praia e outra com águas convidativas e de um azul impressionante, caminha-se por costões selvagens e até matas fechadas. Meia hora depois, chega-se à areia onde turistas se bronzeiam a beira do mar. Um pouco adiante é a hora de andar em estradas ou ruas asfaltadas em companhia dos carros, mas logo depois retorna-se para a praia, pedras costeiras ou trilhas. Pelo caminho, casas modernas e prédios intercalam-se com construções antigas da colonização açoriana, além de matas e morros de densa vegetação.
Cada dia da caminhada é uma surpresa diferente. Novas paisagens, desafios e personagens – pescadores, donos de bares e pousadas, guias, barqueiros, turistas, bêbados ou criadores de ostra; descendentes de nórdicos, portugueses, açorianos, índios, negros e do homem de sambaqui, que habitou a ilha há mais de 4 mil anos deixando pinturas e pedras esculpidas. Em função da falta de tempo, as conversas e solicitações de informações são rápidas mais intensas, e o sotaque variado.
A aventura começou na manhã do dia 16 de novembro, na praia dos Ingleses, rumando para o norte com a mochila nas costas e protetor solar na pele, e terminou no mesmo local na tarde do dia 22, chegando pelo sul. Neste período, dormimos cada noite num local diferente – pousadas, albergue e camping, enfrentando sol, chuva, frio, arranhões e dores musculares. Ao final, além de fotos e recordações, ficou a agradável constatação de termos realizado aquela que deverá se tornar uma das principais caminhadas do ecoturismo brasileiro.
PARA QUANDO VOCÊ FOR:
Dar a volta a pé na ilha de Florianópolis não é tarefa das mais fáceis, mas qualquer pessoa que se interessa por caminhadas e ecoturismo pode realizá-la. Quem não gosta de chuvas, o melhor é fazer a aventura no outono/inverno. Para quem gosta de agito e gente, a alta temporada (dezembro e janeiro) também traz muitos turistas à cidade, com preços em alta e pousadas lotadas.
Uma boa e confortável mochila é outra peça fundamental para a jornada. Leve poucas roupas, de tecido sintético que não fique pesado com o suor. Não se esqueça da capa de chuva, dos óculos escuros e do boné, bem como de um agasalho que proteja do frio do sul.
Calça comprida de trilha e luvas esportivas são dois apetrechos importantes para se evitar os arranhões das gravatás (plantas com generosos espinhos) e proteger das sempre indesejáveis raladas que ocorrem nos costões, quando somos obrigados algumas vezes a rastejar ou apoiar nas pedras.
Evite carregar material de camping – barraca, saco de dormir, etc, pois o peso e o volume irão desgastá-lo. Organize-se para deixar este material no local onde irá acampar.
Consulte o site www.adrenailha.com.br e ligue para o Sergio (48) 3269-1414 ou 9121-2165. Ele já promove caminhadas ao redor da ilha e está montando a opção da volta completa de Florianópolis com toda a logística necessária e as opções de caiaque e bicicleta. A Adrenailha ainda proporciona, durante o trajeto, visitas a museus e incursões a outros atrativos da ilha, como a Lagoa da Conceição e a Ilha do Campeche.
Como em outros lugares do Brasil, o excesso de cachorros é uma das características da ilha, de norte a sul. Um deles, uma vira-lata pastor alemão, passou a nos acompanhar a partir do quarto dia até o final da caminhada e foi nossa fiel escudeira por mais de 100 quilômetros. “Floridog”, como foi batizada por nós, mostrou uma habilidade incrível nas pedras e nos convenceu que vida de cachorro em Florianópolis pode ser uma bênção.
Os açorianos começaram a chegar a Florianópolis em meados do século XVIII incentivados pela coroa portuguesa, interessada em ocupar o sul do Brasil. Na praia do Ribeirão da Ilha, ao sul, estão algumas das principais marcas desta imigração, incluindo uma igreja bicentenária e um museu particular. Para quem gosta de ostras, há restaurantes especializados e vasta criação marcada por raias ao longo da costa.
As praias de Naufragados e Lagoinha do Leste são duas das mais preservadas, ficando ambas no extremo sul da ilha com acesso apenas a pé, por trilhas, ou barco. Vale e pena sentir a força da natureza nestes dois locais de extrema beleza. Em Naufragados, visite o farol e, em Lagoinha do Leste, não deixe de entrar na lagoa e observar os pássaros que sobrevoam este pequeno paraíso.
Conheça o currículo dos aventureiros desta trip.
Gustavo Junqueira Jr: Jornalista, 40 anos, já viajou por mais de 20 países na Europa, África e América do Sul. Escalou o Aconcágua, na Argentina (6.960 metros) e o Kilimanjaro (5.8995 metros), na Tanzânia, respectivamente os picos mais altos da América do Sul e África. Triatleta e maratonista, escreve matérias sobre suas aventuras quando não está dirigindo sua empresa de assessoria de comunicação em Ribeirão Preto.
André Dib: Fotógrafo, 32 anos, vem realizando diversas expedições nos últimos cinco anos para a Argentina, Bolívia e Peru, onde escalou montanhas com mais de 6 mil metros de altitude. No Brasil, visitou e registrou com suas lentes lugares como o Pico Roraima e a Chapada Diamantina, além da Amazônia. Já ganhou prêmios com suas fotos, também publicadas em revistas e jornais (www.andredib.com.br).
Alexandre Caldo: Cineasta, 37 anos, Alexandre Caldo morou por 10 anos na Europa onde estudou e trabalhou em Portugal, Espanha, Alemanha e Inglaterra. Participou de algumas produções cinematográficas e dirigiu documentários no Brasil. Também mora em Ribeirão Preto, estando à frente hoje de uma produtora de cinema e vídeos.
Veja a galeria de fotos desse passeio
Reply with a Comment
Fields with an * are required, but will not be seen by the public.