Características Biológicas

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A situação litorânea e insular do município de Florianópolis propicia uma linha de costa formada por praias de águas calmas, baías, praias de mar aberto, costões, promontórios, mangues, lagunas, restingas e dunas. A ocupação urbana alterou quase que completamente sua pequena parte continental e tem causado impactos ao ambiente natural insular. Contudo, suas encostas íngremes ainda guardam características da Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) e da fauna por ela abrigada, e, nas pequenas ilhas vizinhas pertencentes ao município, ainda são mantidas condições de grande expressão ecológica.

A seguir caracterizaremos sucintamente os principais ecossistemas do município de Florianópolis e apresentaremos aqueles de maior importância para a região.

Manguezais

Os manguezais são ecossistemas litorâneos que ocorrem em terrenos baixos, relativamente abrigados, formados por vazas lodosas e banhados por águas de salinidade variável. Esta condição deve-se à influência das marés, das correntes de águas doce e dos sedimentos carreados pelos cursos d’água. São sistemas de alta produtividade que fertilizam as águas costeiras através da alta produção de matéria orgânica, pela exportação da mesma e pela sua transformação em detritos, os quais serão utilizados por uma variedade de organismos (Odum & Heald, 1975). São ecossistemas dinâmicos, de grande importância ecológica e geomorfológica.

Dos oito manguezais de importância regional situados nas baías Norte e Sul, cinco localizam-se na Ilha de Santa Catarina. São eles: Mangue do Rio Ratones, Mangue do Saco Grande, Mangue do Itacorubi , Mangue do Rio Tavares e Mangue da Tapera.

Além desses, na região conurbada de Florianópolis destacam-se os seguintes manguezais, todos situados no município de Palhoça:

Mangue da Palhoça, Mangue do Aririú-Cubatão e o Mangue do Massiambu.

Restingas

As restingas são formações litorâneas, geralmente de forma alongada e paralelas à linha de costa, resultantes da deposição de sedimentos marinhos em ambientes protegidos por ilhas ou pontais rochosos. Freqüentemente o seu processo de formação origina lagoas e lagunas, constituindo condições físicas bastante diversas em um mesmo meio. Situadas entre os ambientes marinho e continental, as restingas possuem estrutura muito complexa e grande diversidade biológica. Sua fauna e flora são compostas por espécies encontradas em diferentes ecossistemas que, em seu conjunto, formam associações típicas de grande expressão ecológica.

A origem da Ilha de Santa Catarina está intimamente ligada à formação de restingas, as quais uniram o antigo grupo de ilhas que hoje são seus morros. Este processo formou várias lagunas, entre as quais destacamos a Lagoa da Conceição, a Lagoa do Peri e a Lagoinha do Leste.

Dunas

As dunas são depósitos eólicos de areia que ocorrem isoladas ou em associação, sendo comum nas restingas situadas na costa leste da Ilha de Santa Catarina. As dunas fixas são cobertas por formas vegetais arbustivas, gramíneas e outras plantas que se adaptam ao solo pobre em água e matéria orgânica e à ação do vento, constituindo-se em ambientes estáveis e complexos. Nelas ocorrem comunidades animais diversificadas compostas principalmente por insetos, crustáceos, répteis, aves e pequenos mamíferos.

As dunas são elementos importantes na estabilização da linha de costa, protegendo estas áreas da abrasão marinha e diminuindo a ação dos ventos nas regiões mais interiores. Seus terrenos arenosos sem estrutura e altamente permeáveis são impróprios à ocupação humana, sendo ambientes protegidos por legislação federal, estadual e municipal.

Os maiores ambientes dunares foram tombados como Patrimônio Natural e Paisagístico do município, e são eles:

Dunas dos Ingleses e Santinho, Dunas da Lagoa da Conceição, Dunas do Campeche, Dunas da Armação e Dunas do Pântano do Sul.

Na região conurbada de Florianópolis destacamos as Dunas da Pinheira, as quais constituem-se principalmente por dunas fixas e semi-fixas.

Lagunas

Lagoa da Conceição: esta laguna costeira, de águas salobras e de forma alongada no sentido Norte-Sul, é o corpo d’água de maior extensão na Ilha de Santa Catarina. O canal situado na localidade da Barra da Lagoa faz sua ligação com o mar e permite o fluxo de água e organismos aquáticos entre este e a lagoa, tornando esta uma fonte de recursos pesqueiros para a população local. Delimita-se, a Oeste, com uma linha de morros de relevo acidentado, onde localizam-se dois dos quatro núcleos de vegetação secundária em estágio mais desenvolvido da Ilha de Santa Catarina. A Leste, delimita-se com maciços rochosos e, em sua maior parte, com feixes de restinga que a separam do mar. Ao Sul estendem-se as dunas de mesmo nome.

Lagoa do Peri: originária de uma antiga enseada que foi bloqueada em seu contato com o mar por um processo natural de sedimentação, hoje situa-se acima do nível oceânico, ligando-se a ele por um canal de escoamento com fluxo d’água unidirecional. Com uma superfície aproximada de 5 km², é a maior lagoa de água doce do litoral catarinense. As encostas que a cercam são cobertas pela Floresta Ombrófila Densa que, em algumas áreas, ainda mantém suas características originais. A Leste, a lagoa delimita-se com depósitos sedimentares recentes de origem marinha, eólica e fluvial, cobertos por vegetação litorânea.

Lagoinha do Leste: situada na costa Leste, parte Sul, da Ilha de Santa Catarina, esta laguna está ligada ao mar através de um canal em forma de “S” com 1.100 m de extensão. A manutenção da lagoa está condicionada à preservação da cobertura vegetal de seu entorno, a qual é composta, principalmente, por espécies nativas e dá abrigo a uma rica fauna.

Ainda podemos destacar a presença da Lagoa Pequena, no Rio Tavares, da Lagoinha do Norte, localizada no norte da ilha, da Lagoa da Chica, no Campeche e a Lagoa do Jacaré em Ingleses.

Florestas das Planícies Quaternárias

As planícies quaternárias são formadas por sedimentos provenientes de antigas restingas e do desgaste provocado pelas águas nas terras altas, sendo seus solos geralmente úmidos até semi-brejosos, onde desenvolve-se uma vegetação edáfica muito típica – estrutural e fisionomicamente homogênea. Constitui-se numa transição entre a vegetação de restinga e a floresta pluvial, tendo seus componentes mais ligados a esta.

Floresta Ombrófila Densa

As encostas do município de Florianópolis eram originalmente cobertas pela Floresta Ombrófila Densa ou , como é mais conhecida, Mata Atlântica. Esta floresta caracteriza-se por sua elevada densidade e heterogeneidade em espécies – estratos de árvores, arvoretas, arbustos, ervas e elevado número de epífitas – que além de constituir um rico patrimônio genético, abriga e produz alimentos a um grande número de espécies faunísticas.

A partir de 1750, com a chegada de colonos açorianos à Ilha de Santa Catarina, deu-se início a um processo de desmatamento em grande escala visando produção agrícola, principalmente, e a extração de madeira para uso naval, civil e mobiliário, além da produção de lenha para abastecimento doméstico e industrial (engenhos, olarias, caieiras e curtumes). Com o declínio da agricultura, houve o abandono de muitas áreas, resultando no desenvolvimento, na maior parte das encostas da Ilha de Santa Catarina, de uma mata secundária em diferentes estágios de regeneração – capoeirinha, capoeira, capoeirão vegetação secundária – ou apenas por vegetação pioneira. Outro fator de alteração foi o reflorestamento sem fim de exploração comercial, com espécies exóticas de crescimento rápido, essencialmente o pinus e o eucalipto, realizado em alguns locais do município. Somente em pequenas áreas, como nos morros do Ribeirão da Ilha e da Costa da Lagoa e nas encostas às margens da Lagoa do Peri, ainda encontra-se uma mata de aspecto fisionômico muito semelhante ao da floresta primária. Também nas encostas rochosas de solos rasos da Lagoinha do Leste ocorre ainda uma floresta primária pouco desenvolvida, formada por espécies rupestres.

Ilhas

As ilhas que geograficamente pertencem ao município de Florianópolis são: Ilha de Santa Catarina, Ilha das Campanhas, Ilha Badejo, Ilha Moleques do Norte, Ilha Mata Fome, Ilha das Aranhas Grande, Ilha das Aranhas Pequena, Ilha do Xavier, Ilhado, Campeche, Pedra Tipitingas, Ilha das Laranjeiras, Ilha das Três Irmãs – Irmã do Meio, Irmã Pequena, Irmã de Fora; Ilha Moleques do Sul, Ilha Papagaios Grande, Ilha Papagaios Pequena, Ilha dos Cardos, Ilha Maria Francisca ou Flechas, Ilha do Largo ou Garoupa, Ilha Garcia, Ilha Tipitingas, Ilha do Facão, Ilha dos Noivos ou Lamim, Ilha Três Henriques (laje), Ilha Diamante, Ilha da Guarita, Ilha Perdida, Ilha Guarás Pequena, Ilha Guarás Grande, Ilha Ratones Pequeno, Ilha Ratones Grande, Ilha do Francês, Ilha Fortaleza ou Araçatuba, Ilha das Pombas, Ilha das Vinhas, Ilha do Abraão, Ilha das Conchas

Dessas, as Ilhas da Fortaleza, dos Cardos, Moleques do Sul e as Três Irmãs fazem parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro a partir do Decreto Estadual nº 1.260/75 e as Ilhas dos Papagaios foram incluídas pelo Decreto nº 2.336/77.

Baías

A Ilha de Santa Catarina, localizada nas coordenadas médias de 27º35′ S e 48º32′ W, é separada do continente por um corpo d’água denominado baía de Florianópolis. Esta baía possui uma área superficial de 430 km2, 50 km de comprimento e uma profundidade média de 3,2 m; é dividida em duas partes, norte e sul, que se comunicam através de um canal com aproximadamente 550 m de largura e 21 m de profundidade. Ambas as partes, baía Norte e baía Sul, são ligadas ao Oceano Atlântico por um canal de 31 m e 10 m de profundidade respectivamente.

As baías Norte e Sul recebem contribuição de águas doces provenientes de bacias hidrográficas tanto insulares quanto continentais. As principais contribuições de águas fluviais que desembocam na baía Norte são os rios Ratones e Itacorubi, de origem insular, e o rio Biguaçú, de origem continental, enquanto na baía Sul são os rios Tavares e Ribeirão, de origem insular, e o rio Cubatão, de origem continental.

O comportamento das marés segue um andamento de tipo semidiurno e é influenciado tanto astronômica quanto eolicamente. As correntes de maré seguem as direções Norte-Sul e Sul-Norte simultaneamente e se encontram em frente da área central da cidade de Florianópolis. Sua velocidade média raramente supera 0,26 m/s, mas durante a sizígea pode atingir 0,75 m/s.

Unidades de Conservação Ambiental

Aproximadamente 42% da área do município é constituída por unidades de conservação, as quais são listadas a seguir.

a) Instituídas por Legislação Federal

Estação Ecológica dos Carijós – criada pelo Decreto Federal nº 94.656/87, é composta pelos manguezais de Ratones (área = 61,87 ha) e do Saco Grande (área = 9,35 ha), totalizando 71,22 ha.

Reserva Biológica Marinha do Arvoredo – criada pelo Decreto Federal n.º 99.142/90 com o objetivo de proteger amostra representativa dos ecossistemas da região costeira. Abrange as Ilhas do Arvoredo, das Galés e Deserta, o Calhau de São Pedro e área marinha que os circunda (municípios de Florianópolis e Governador Celso Ramos), totalizando 17.800 ha.

Área de Proteção Ambiental Anhatomirim – instituída pelo Decreto Federal n.º 528/92, compreende uma área de 3.000 ha localizada na baía Sul e em terras do Município de Governador Celso Ramos. Seu objetivo é assegurar a proteção da população de boto Sotalia fluviatilis, a sua área de alimentação e reprodução, bem como áreas remanescentes da Floresta Atlântica e fontes hídricas de interesse para a sobrevivência das comunidades de pescadores artesanais da região.

Reserva Extrativista Marinha de Pirajubaé - instituída pelo Decreto Federal n.º 533/92, é constituída pelo manguezal do Rio Tavares (área = 740 ha) e o baixio a sua frente (área = 704 ha), totalizando 1.444 ha.

b) Instituídas por Legislação Estadual

Parque Florestal do Rio Vermelho
- criado em princípio como Estação Florestal do Rio Vermelho pelo Decreto Estadual n.º 2.006/62, era destinado à experimentação de diversas espécies de “pinus” e à comprovação dos melhores índices de desenvolvimento de variedades adaptáveis à região catarinense. O Decreto Estadual n.º 994/74 criou o parque, o qual abrange uma área de 1.110 ha.

Parque Estadual da Serra do Tabuleiro - criado pelo Decreto Estadual n.º 1.260/75, abrange áreas de mata atlântica, dunas, restinga, manguezais e capoeirões. Dos 90.000 ha decretados, uma área de 346,5 ha localiza-se em Florianópolis.

c) Instituídas por Legislação Municipal

Dunas da Lagoa da Conceição - tombadas pelo Decreto Municipal n.º 1.261/75. O Decreto Municipal n.º 213/79 amplia a área tombada pelo decreto anterior, incluindo nas limitações do tombamento áreas limítrofes e adjacentes às dunas, com as quais tem estreita interação e dependência, totalizando 563 ha de área.

Parque Municipal da Lagoa do Peri – A Lei n.º 1.828/81 cria o parque e institui seu Plano Diretor e o Decreto n.º 91/82 regulamenta a referida lei. Possui uma área de 2.030 ha.

Dunas de Ingleses/Santinho, Campeche, Armação e Pântano do Sul - o Decreto n.º 112/85 tomba o sistema físico natural das dunas de Ingleses (área = 953,3 ha), Santinho (área = 91,5 ha), Campeche (área = 121 ha), Armação do Pântano do Sul (área = 5,9 ha) e Pântano do Sul (área = 24,2 ha), proibindo quaisquer atividades ou edificações nessas áreas.

Restinga de Ponta das Canas e Ponta do Sambaqui – o Decreto Municipal n.º 216/85 tomba como Patrimônio Natural e Paisagístico do Município de Florianópolis a restinga de Ponta da Canas, com uma área de 21,5 ha, e a ponta do Sambaqui, com 1,3 ha de área, localizada no Distrito de Santo Antônio de Lisboa. Ambas são consideradas área de preservação permanente.

Áreas de Preservação Permanente e de Uso Limitado - a Lei Municipal n.º 2.193/85, que dispõe sobre o zoneamento, o uso e a ocupação do solo nos Balneários da Ilha de Santa Catarina, declarando-os área especial de interesse turístico, institui as Áreas de Preservação Permanente (APP), considerando o que determina a Lei Federal n.º 4.771/65 (Código Florestal) e Áreas de Uso Limitado (APL). Totaliza 10.074,2 ha de área de APP, incluindo o mangue de Itacorubi (área = 150 ha) e o mangue da Tapera (área = 52,5 ha). Entre estas áreas esta o rico ambiente do Morro dos Ingleses, com seus sítios arqueológicos e históricos que contam a história de ocupação da ilha com mais de 5.000 anos. Este ambiente é propicio para as atividades de ecoturismo e turismo de aventura desenvolvida pela Adrenailha.

Região da Costa da Lagoa da Conceição – o Decreto Municipal n.º 247/86 tomba como Patrimônio Histórico e Natural do Município de Florianópolis a encosta da margem Oeste da Lagoa da Conceição, desde a Ponta dos Araçás até a Ponta do Saquinho, e o caminho da Costa da Lagoa, totalizando 967, 5 ha.

Lagoa da Chica e Lagoinha Pequena – o Decreto n.º 135/88 tomba como Patrimônio Natural e Paisagístico a Lagoinha Pequena, no Rio Tavares, antes considerada área verde de lazer pela Lei n.º 2.193/85 (área = 27,5 ha), e a Lagoinha da Chica, no Campeche (área = 3,75 ha).

Parque Municipal da Galheta
– criado pela Lei n.º 3.455/90, que considera a área de 149,3 ha como de preservação permanente.

Parque Municipal da Lagoinha do Leste - criado pela Lei n.º 3.701/92 , que protege uma área de 453 ha, maior que a Bacia Hidrográfica da Lagoinha que anteriormente foi tombada como Patrimônio Natural e Paisagístico pelo Decreto Municipal n.º 153/87.

Dunas da Barra da Lagoa – a Lei Municipal n.º 3.771/92 institui o Plano de Reestruturação Urbano da Barra da Lagoa, alterando a Lei n.º 2.193/85 e protege as dunas da Barra da Lagoa em uma área de 6,6 ha.

Parque Municipal do Maciço da Costeira - Criado pela Lei Municipal 4.605/95 e regulamentado pelo Decreto n.º 154/95, possui uma área de 1.456,3 ha. O parque está localizado a 5 km do Centro de Florianópolis, sendo que o acesso se faz somente por trilhas. Abrange áreas com relevo montanhoso, e visa a proteção da vegetação da Floresta Atlântica, fauna e os mananciais hídricos.

Pontal da Daniela – Área de Preservação Permanente tombada pela Lei Municipal 5091/97. Com área de 15,64 há, visa a proteção de ecossistemas de manguezal e restinga.

Fonte: Fundação Muncipal do Meio Ambiente – FLORAM

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