Resgate de peças do naufrágio mais antigo do Brasil em Florianópolis

O mau tempo da quinta-feira, dia 8 de agosto, não atrapalhou os mergulhadores/pesquisadores do Projeto Barra Sul no resgate de mais objetos do sítio arqueológico localizado na Baía Sul, na Ilha de Santa Catarina. Acompanhados pelo capitão dos Portos/SC, comandante Claudio da Costa Lisboa; do representante da DPHDM (Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha), tenente Daniel Gusmão; e da equipe de arqueológos da Unisul, os mergulhadores retiraram uma pedra triangular com escritos em latim, medindo 1 metro e 25cm por 0,75metros, e duas esferas com aproximadamente 21cm de diâmetro.

“Acreditamos estar diante do mais antigo naufrágio localizado e pesquisado das Américas”, ressalta um dos seis pesquisadores/mergulhadores, Bruno Germer, acrescentando que as peças retiradas repousavam no fundo do mar há mais de 400 anos. O tenente da Marinha, Daniel Gusmão, afirma que este, por enquanto, é o mais antigo naufrágio pesquisado na costa brasileira, mas ainda “são necessárias mais pesquisas históricas para ter a confirmação do nome da nau”.

Estudos preliminares realizados pelo projeto Barra Sul apontam para a embarcação chamada San Esteban, que naufragou na saída da Baía Sul, em janeiro de 1583, e que transportava peças de artilharia e material para construção de duas fortalezas no Estreito de Magalhães. “A pedra triangular faz menção ao rei Felipe II com a inscrição: Philippus Maximvs Cathollicvs II Hispaniarvm Indiarvm et Rex.  E acredita-se que o ano seja o de 1582, mas só vamos ter certeza depois dos avanços das pesquisas arqueológicas”, ressalta o pesquisador/mergulhador, Flávio Corrêa.

Nesta terça-feira, 9 de agosto, as peças serão encaminhadas ao GRUPEP da Unisul, em Tubarão, onde passam por higienização e dessalinização, ficando responsável a arqueóloga dra. Deisi Scunderlick Eloy de Farias. Desde o dia 24 de junho está em Tubarão a primeira peça retirada deste sítio arqueológico: uma pedra nas dimensões de 98 cm de altura por 76 cm de largura, com o desenho de dois leões e dois castelos em alto relevo e, no meio, um símbolo português, o que remete ao período da União Ibérica e ao reino de Leon e Castilla, entre os anos de 1580 a 1640.

O próximo passo, segundo Flávio Corrêa, será a retirada, até o final do ano, do canhão que está no mesmo sítio arqueológico e que tem data de fundição de 1565. A arqueóloga ressalta: “Por se tratar de um sítio arqueológico que guarda vestígios históricos inéditos no Brasil, haverá uma minuciosa escavação, seguindo todos os procedimentos e cuidados previstos em trabalhos arqueológicos”.

Fonte: Jornal Correio da Ilha (09/08/2011)


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